10.8.06

 
OLHA DO QUE O OUTRO SE LIVROU!

Polícia Judiciária recebeu um dossiê sobre alegadas irregularidades na gestão da Escola Universitária Vasco da Gama, em Coimbra (EUVC), durante o período (2004/2005) em que foi gerida por António Calvete.

O CM apurou que, em causa, estão eventuais ilegalidades relativas a facturas pagas pela EUVC – através da Associação Cognitária São Jorge de Milréu, proprietária da escola – provenientes de uma agência de viagens que, de acordo com várias fontes, pertence a António Calvete.Algumas das cópias de facturas enviadas para a PJ, segundo fonte conhecedora do processo, que solicitou o anonimato, “nada têm a ver com a Escola Vasco da Gama”. “Mesmo assim foram liquidadas durante um período em que a instituição enfrentou graves dificuldades económicas. Alguns docentes, por exemplo, tiveram ordenados em atraso”, relatou a mesma fonte.Outra fonte, que também solicitou o anonimato, frisou que a entrada de António Calvete na EUVC terá tido como principal objectivo tirar o “máximo partido” imobiliário da Quinta de São Jorge de Milréu, que tem mais de 370 mil metros quadrados. “Nos pontos altos tem uma vista fabulosa sobre o Rio Mondego. Assim que António Calvete assumiu as rédeas da instituição houve uma clara diminuição na aposta no ensino de qualidade.”E acrescentou: “Até à chegada de António Calvete estava tudo bem encaminhado junto do Ministério da Educação para a Escola passar a ministrar sete cursos. Assim que ele entrou, apenas resistiram três.”O CM soube, também, que foi enviado um dossiê para a Procuradoria-Geral da República em que, entre outros, são abordados temas como um curso de Medicina Veterinária B em que as disciplinas tinham a ver com o curso de Medicina Humana (ver caixa), dívidas a fornecedores e alegadas irregularidades com docentes e alunos, ocorridas durante a gestão de António Calvete e o período em que Norberto Canha foi o reitor da EUVG.Um dos capítulos do dossiê que chegou à PGR diz que a escola deve mais de 280 mil euros aos alunos que frequentaram o curso de Medicina Veterinária B, em 2001/2002, e que solicitaram o reembolso das verbas que gastaram com a matrícula, jóia e mensalidades. A maioria dos alunos já recebeu os montantes a que tinha direito, mas a EUVG está em falta com alguns, como Luís Sepúveda, de 23 anos: “O mais certo será agir judicialmente contra a escola. Mas, antes, vou tentar resolver as coisas a bem.”O CM tentou nos últimos dias contactar António Calvete, mas o empresário e ex-deputado do PS nunca atendeu o seu habitual telemóvel. Já o antigo reitor, Norberto Canha, assegurou estar de “consciência tranquila”.
CURSO À REVELIA DO MINISTÉRIO
No ano lectivo 2001/2002, a Escola Universitária Vasco da Gama avançou com o primeiro ano de um curso a que chamou Medicina Veterinária B, em que as disciplinas tinham a ver com Medicina Humana. O reitor da altura, Norberto Canha, disse ontem ao CM que tinha garantias políticas de que o Governo iria reconhecer o curso de Medicina. Seria o primeiro em Portugal a ser ministrado numa Universidade privada. E, segundo uma advogada, especialista em matéria de ensino, foi também a primeira vez que um curso abriu sem que tivesse qualquer parecer favorável da comissão de especialistas, à data, Ministério da Educação: “Normalmente, o Governo informa as escolas que a portaria da homologação está pronta em Fevereiro ou Março e que, por isso, o curso pode começar em Setembro do ano anterior. Com a Escola Vasco da Gama essa informação não existiu.”Ficou ainda estabelecido que, se não houvesse aprovação, os alunos transitariam para Medicina Veterinária nesse mesmo ano lectivo, o que também não chegou a acontecer, por a instituição não se ter preparado para o efeito. O.Lopes no CORREIO DA MANHÃ

Comments:
Ex-reitor acha "bem" que PJ investigue universidade


Nelson Morais

O ex-reitor da Escola Universitária Vasco da Gama (EUVG), Norberto Canha, reagiu sem surpresa à notícia de que a gestão desta universidade privada, em 2004 e 2005, está ser investigada pela Polícia Judiciária. "Acho bem que investiguem. Se há dúvidas, têm que ser esclarecidas", comentou, ontem, aquele fundador da EUVG, criada em 2001, no mosteiro da Quinta de S. Jorge de Milreu, a dois passos da cidade de Coimbra.

O Correio da Manhã noticiou, anteontem, que estão a ser investigadas eventuais irregularidades, relacionadas com facturas pagas pela EUVG (através da Associação Cognitária de S. Jorge de Milreu, detentora do alvará da escola e arrendatária do referido mosteiro) e emitidas por uma agência de viagens pertencente, alegadamente, a António Calvete.

Este ex-deputado do PS é o sócio maioritário da Sociedade Mosteiro de S. Jorge, Construções, Lda., que é dona das instalações ocupadas pela EUVG, mediante pagamento de uma renda mensal, apurou o JN, de mais de 30 mil euros. Mas suspeita-se de que as facturas pagas pela universidade nada têm a ver com a sua actividade. O JN tentou ouvir Calvete e a Associação Cognitária de S. Jorge de Milreu, mas não obteve qualquer resposta.

Calvete entrou em cena, na Sociedade Mosteiro de S. Jorge, numa altura em que a EUVG já padecia de problemas financeiros, decorrentes, em boa medida, do facto de lhe ter sido negada a pretensão de ministrar o curso de Medicina. E esse aparecimento de Calvete, proprietário de escolas do Ensino Básico, mas com negócios em variados sectores, foi visto como a salvação da EUVG. Mas, com o passar do tempo, foi-se afirmando a ideia de que o projecto universitário, reduzido a três licenciaturas, perdia terreno a favor dos negócios imobiliários que a Quinta de S. Jorge poderia proporcionar.

Inquirido sobre o assunto, Norberto Canha observou "É possível que tenha havido alguma negociata".

No início deste ano, a Câmara de Coimbra autorizou a empresa Ebony Concepts Limited - à qual a Tramcrone/TCN cedera a posição contratual negociada com a Sociedade Mosteiro de S. Jorge - a elaborar um plano de pormenor da quinta, para dedicar 20 mil metros de terreno a habitação.



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